Law of The Devil

Law of The Devil 00 : O Filho do Conde [Prólogo]


Conforme observamos a história, encontramos frequentemente na a história atual, que, até os líderes mais sábios encontram dificuldades ao tentarem manter suas cabeças sob a água.[1]Significa Sobreviver, resistir, achei interessante então deixei literal


 

 

 

 

— 《As Crônicas Imperiais, capítulo 35, nota 7 — Pertencente as reflexões na Era de Roland 12 》

 

 

Nesta tarde de verão, o sol escaldante pendurava-se no céu enquanto radiava calor sem misericórdia. Para a cerimonia de boas vindas a um triunfante retorno, vários guardas de armadura escarlate circundavam o cais do porto tão unidos que nem mesmo uma gota de água poderia passar.

 

E em algumas centenas de passos ao redor do cais estavam os soldados de segurança pública da capital imperial exercendo toda sua força. Um grande número deles tinham roupas rasgadas, dragonas brilhantes gastas, chapéus impressionantes fora do lugar, até suas botas haviam sido pisoteadas várias vezes.

 

O que fez estes soldados que haviam sido ordenados a garantir a ordem no porto sentirem-se desamparados, era que o inimigo que eles enfrentavam numeravam mais que cinquenta mil moradores da capital imperial entusiasmados.

 

A multidão de cidadãos transbordando felicidade estava armada com flores, torcidas, aplausos — e claro, um grande numero de jovens donzelas prontas para oferecer seus beijos ou mesmo suas castidades. Neste tipo de confusão, os mil soldados que ali estavam posicionados sentiram como se eles estivessem em um barco quebrado no mar, prestes a afundar a qualquer momento.
Agora mesmo eles sentiam extrema inveja dos guardas da doca,  que podiam calmamente entrar em formação, mostrando sua armadura polida recém adquirida e suas armas. Não tinham que se preocupar em ter suas bochechas agarradas por um cidadão a qualquer momento.

 

Em razão da celebração deste retorno triunfante, sua majestade o grande imperador Augustine VI havia ordenado que o grande canal Azure que leva ao rio do distrito da capital imperial ser alargado ao menos o dobro do tamanho original! Por esta razão o império tinha investido dez mil trabalhadores no rio por meio ano, pagando uma bagatela próxima de três milhões de peças de ouro.

 

E a razão deste investimento era para permitir que o navio almirante da Sexta Frota Expedicionária ‘HMS Red Eastern’ atravesse sem problemas diretamente para o portão oeste do porto da capital, recebendo o clamor das pessoas e demonstrando o poderio da força militar imperial.

 

Ninguém se importava se essa ostentação valia tal custo.

 

O primeiro ministro financeiro que havia levantado objeções foi imediatamente ‘retirado’ para o interior do país por um imperador zangado. E seu sucessor tinha como opção somente procurar de leste a oeste métodos de conseguir a última moeda das finanças imperiais e satisfazer este “senhor extravagante”.

 

Claro, o ministro financeiro só podia dizer “senhor extravagante” no fundo do seu coração, bem fundo, beeeeeeeeem fundo….

 

Enquanto o sol da tarde aquecia a larga superfície do canal, quando o primeiro traço de uma embarcação apareceu, a multidão não pode conter suas comemorações.

 

Junto com o rio uma embarcação de guerra de aproximadamente duzentos passos de comprimento lentamente aproximava-se do porto, seu contorno inspirador impressionava a todos na multidão que aguardava.

A Sexta Frota Expedicionária Imperial ‘HMS Red Eastern’, o orgulho da marinha imperial, o maior navio de guerra da história. Para essa cerimônia de boas vindas o navio havia recebido polimento e foi repintado, o casco possuía um preto intimidador. A cada onda de vivas, o HMS Red Eastern aproximou-se lentamente do porto como uma enorme fera preta, a bandeira da flor de amora negra Blackberry flutuava no mastro.

 

Enquanto a embarcação soltava sua âncora, a multidão estava feverosa, vários chapeis foram lançados no ar, muitos sapatos foram pisoteados e perdidos, muitas pernas foram machucadas nos empurrões. E esses pobres soldados resistindo o máximo que podiam com suas habilidades podiam somente recuar, e recuar novamente…

 

O comandante da frota, Conde Lehman, posicionou-se na proa do barco, observando a multidão feverosa sem expressão.

 

Este general de trinta e nove anos, o Conde, vestia sua melhor vestimenta, um conjunto de armadura leve, uma capa escarlate flutuando no vento logo atrás, duas medalhas em seu peito — recompensa das duas vezes que participou nas frotas de expedição. E sem dúvida este retorno triunfante podia recompensar-lo com uma terceira medalha imperial.

 

O olhar do Conde não estava todo focado no povo que ali festejava, e se observado cautelosamente,  podia-se descobrir que suas sobrancelhas demonstravam um pouco de impaciência.

 

Droga, essa armadura é muito pesada, e ridícula!

 

Como um soldado naval, o Conde não acreditava que tal armadura era adequada para combate naval. Era tudo um show de poderio militar. E quanto a vestir as medalhas, o Conde pensou secretamente que toda a ideia era ainda mais ridícula. Igual aos novos ricos que ficam demonstrando sua riqueza — a verdadeira nobreza não faria algo assim. Ele sentia que tal ato não honrava sua dignidade.

 

Além disso, a multidão era muito barulhenta, seu clamor era como um tsunami acertando os disjuntores de ondas, onda após onda corroendo a paciência já gasta do Conde.

 

Subconscientemente ele olhou para baixo ao deck.

 

Para essa comemoração a embarcação havia sido pintada três dias atrás, as velhas manchas de sangue no deck foram removidas, a plataforma que foi gasta nas batalhas já haviam sido reformada… Droga, esses puxa sacos da corte haviam trocado até a imagem do aríete conforme os gostos de sua majestade, essa estátua foi esculpida por um escultor mestre do império e entregue pessoalmente alguns dias antes.

 

Para tanto a marinha imperial pagou um extra de dez mil moedas de ouro.

 

Grandeza marcial era grandeza marcial, mas esses idiotas não sabem que em um combate naval, depois dos barcos se colidirem, a primeira coisa que é destruída é o esporão[2]aríete do barco, aquela parte da frente decorado com algo tipo uma sereia?

 

Para ele esse gasto é um desperdício. Ao invés do trabalho de um escultor mestre, uma estaca bem afiada teria um efeito mais prático.

 

De fato, bem no fundo, o Conde Lehman secretamente pensava que mesmo organizar essa assim chamada sexta frota expedicionária era um erro estratégico.

 

Por várias décadas o império continuava conduzindo “expedições”na região dos mares ao sul.

 

Ele não podia negar que haviam várias ilhas nos mares do sul, que casualmente surgiam como pérolas no oceano, com estranhas florestas, e tribos aborígenes da era da pedra, com ouro, gemas e especiarias.

 

Mas o Conde não achava que ‘ir com dezenas de grandes navios de batalha para praticar bullyling com caiaques aborígenes era algo que podia ser chamado de ‘expedição’.

 

Era saque, massacre, roubo, invasão, era tudo na cara dura!

 

o Conde não acreditava que havia algo errado nisso. Os fracos sempre iriam ser devorados pelos mais fortes, então os mais fracos tinham que manter uma atitude para agradar os fortes. Mas ele acreditava que o erro na política imperial para com a região dos mares do sul era esta: Essas operações denominadas ‘expedições’ eram conduzidas muito frequentemente, e os resultados obtidos tornavam-se menores e menores.

 

Nas primeiras duas ou três expedições, a glória da marinha era invencível, quando o navio voltou com ouro, gemas e iguarias, acabou havendo uma sensação no império.

 

Mas mesmo assim, um armazém abundante não pode suportar colheita repetida frequentemente. O saqueamento excessivo havia aniquilado as tribos aborígenes perto da costa, e as expedições seguintes não tinham outra escolha senão ir mais longe, e mais longe, suas rotas se estendiam, uma imensa tentativa de obter suprimentos.

 

Depois de tudo, os mares do sul não consistiam somente de tribos fáceis de saquear, não só de ouro e gemas, mas de um clima quente, tempo instável, ondas gigantes, turbilhões, tornados…

 

As colheitas interinas tornaram o armazém do império em um campo desolado e grande demais. Cada colheita diminuía conforme outra expedição era realizada. Mas ironicamente, cada vez as cerimônias de retorno tornavam-se mais magnificentes…

 

O Conde Lehman tinha comandado três expedições nos últimos anos, ganhando reputação no mares do sul. Esse navio imperial possuía vários apelidos:

 

Ladrão! Carniceiro! Executor!… Suas mãos estavam cobertas de sangue indígena, no coração das tribos aborígenes ele era um invasor, um demônio que queimava suas casas, escravizava pessoas.

 

Claro, o Conde não se importava com isso, mas uma coisa que fez ele ficar um pouco preocupado era o excesso de invasões que haviam provocado desenvolvimento anormal entre os indígenas, principalmente no aspecto militar. Até o ponto que antes de retornar desta vez, ele ouviu que algumas tribos haviam formado uma coligação para resistir aos saques sem fim do império.

 

Felizmente, esse vexame particular não era algo com o que ele tinha que se preocupar mais. Ele sabia muito bem que essa era sua ultima expedição. De agora em diante ele iria permanecer na capital, e se tudo corresse bem, tomaria a ilustre posição de alto comandante imperial, gastando oito ou dez anos até o atual chanceler de assuntos militares se aposentar, então usando a influência de seu clã, tomaria o cargo. Se ele tivesse um pouco mais de sorte, talvez ele poderia até tomar carreira política em seus últimos anos, para primeiro ministro.

 

Quanto as expedições, dane-se. Isso era dor de cabeça para o próximo comandante das frotas.

 

Mesmo se os aborígenes desenvolverem ao ponto que possam usar canhões mágicos, não seria problema dele.

 

Na onda do festejo fervoroso, ele desceu do deck sob olhares atenciosos da multidão, e finalmente ele pisou no solo da capital! Ele acenou ao povo… mas o movimento era mais parecido ao de tentar espantar uma mosca.

 

Primeiramente um oficial leu em voz alta as comendações do imperador, e instruiu ele a entrar no palácio imperial logo de manhã no dia seguinte para receber suas recompensas.

 

Seus desejos foram realizados, sua carreira política seria brilhante.

 

Mas o próximo servo com roupas cinzas que atravessava a multidão, anunciava outra notícia em seus ouvidos, e esta, fez o coração do Conde cair no chão.

 

Era noticias de casa.

 

A expedição durou anos, nos mares sem fim onde as notícias viajavam com dificuldade. Lehman não sabia quais eram as circunstâncias em casa.

 

Mais importante eram sua esposa eseu filho. Três anos atrás quando ele saiu em campanha, sua esposa estava perto de dar a luz, e ele ainda não sabia se era garoto ou garota!

 

As notícias de casa eram: É um garoto.

 

Mas, o recém nascido era, aparentemente, um retardado.

 

Essa notícia o nocauteou de seu pico de felicidade.

 

Que notícia ruim!

 

Praticamente todos os manda chuvas da cidade vieram o receber, e todos viram sua expressão cair para uma depressão de escala surreal.

 

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Notas do Tradutor   [ + ]

1. Significa Sobreviver, resistir, achei interessante então deixei literal
2. aríete do barco, aquela parte da frente decorado com algo tipo uma sereia

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